Tenho depressão, e daí? Bora desmistifica-la e aprender a conviver com ela gente?
- Wanja

- 29 de jun. de 2021
- 5 min de leitura

Fui diagnosticada com transtorno de ansiedade, mas você sabe que a ansiedade e a depressão andam juntas né? E o meu transtorno veio de algumas crises depressivas que passei ao longo da vida. A minha depressão é hereditária, a minha vó tinha, minha tia e a minha mãe que nunca admitiu isso, mas também tinha, só que a dela vinha em forma de isolamento, compulsão e intolerância, que aliás, é muito parecida com os meus sintomas.
A depressão aparece de muitas formas e entendi isso quando comecei a fazer terapia. A pessoa pode ter fadiga, sonolência, muita tristeza, falta de vontade de fazer as coisas, dificuldade de realizar atividades que antes eram fáceis, mas também pode apresentar um quadro agressivo, irritado e compulsivo com ganho ou perda de peso repentino. É uma doença séria que deve ser respeitada e bem diagnosticada. Não sou médica, mas convivo com isso há muito tempo e ouvi essas explicações de alguns profissionais que já me atenderam.
Hoje resolvi contar a minha trajetória nesse mundo paralelo da ansiedade e depressão porque aconteceu comigo, voltei a ter algumas crises e vou expor como tudo começou. Afinal, ninguém está sozinho! Pode ter certeza que sempre haverá alguém com uma questão similar a sua e compartilhar é preciso.
Sou filha de mãe solteira e a minha primeira crise foi aos 10 anos quando descobri quem era o meu pai e logo em seguida ele me rejeitou. Nessa época fiquei com compulsão alimentar, engordei bastante, minhas notas caíram e comecei a me isolar, mas logo saí dessa fase e voltei para a minha vidinha super atarefada de estudante, cursos e amigos. Inclusive tenho um artigo aqui onde falo sobre a rejeição paterna, vou deixar o link no final do artigo.
Minha segunda crise séria foi aos 17 anos, depois do meu primeiro relacionamento, um namoro extremamente conturbado onde me sentia presa e tinha dificuldades de rompimento. Após o término, comecei a ter muita dor de cabeça e minha mãe me levou ao neurologista que por um acaso também era psiquiatra, dos bons, diga-se de passagem.
Depois de alguns exames sem resultados negativos, fisicamente, ele me diagnosticou com depressão e me deu uma medicação que foi a melhor que já tomei até hoje, o efeito foi fantástico e sofri quando esse médico se aposentou. Foi um ano de tratamento e eu voltei a ser aquela pessoa alto astral, esportista, que adorava se cuidar e super sociável. Fiquei boa e durante muito tempo não soube o que era depressão ou ansiedade.
Até que a minha mãe adoeceu, ela tinha hepatite C adquirida por transfusão de sangue. Uma doença cruel que chega sem avisar e vai te corroendo aos poucos.
Essa fase durou anos e muitas coisas aconteceram em paralelo à doença dela, que já era algo muito duro de conviver, então qualquer outro tropeço na minha vida, tornava-se um monstro.
Na primeira fase do tratamento dela eu tive um fracasso profissional que foi muito mal resolvido na minha cabeça e isso ficava martelando a cuca, mas logo fui convidada para trabalhar em outra área de produção e por muito tempo eu fui apaixonada pelo trabalho. Até que a produtora teve que cortar custos e me mandou para home office com redução de salário. Para completar, o fato de fazer home office desestruturou o meu primeiro casamento porque o meu ex-marido também trabalhava em casa.
Um belo dia tive uma crise de estresse e quando fui sair de carro, fiquei chorando sentada no banco e agarrada ao volante. Ali percebi que era hora de procurar ajuda mais uma vez. Tive a minha primeira crise de ansiedade que inclusive contei em outro artigo por aqui e dei várias dicas de como controlar isso. (Link no fim desse artigo)
Me consultei com outro psiquiatra que me acompanhou por anos, mas ele me dava remédios muito fortes e eu ficava chapada, sou bem fraca para essas medicações. Como o meu trabalho exigia atenção e foco, sempre interrompia o tratamento. É preciso ter calma e entender que os remédios funcionam de acordo com organismo de cada um, achar a medicação certa pode demorar, então calma! Poucos anos depois descobrimos um medicamento para ansiedade que me deixava controlada e fui diagnosticada com transtorno de ansiedade.
Minha depressão evoluiu para a ansiedade, me tratei e passei por outros obstáculos da vida com mais facilidade como a minha separação, mudanças de trabalhos, etc. Assim tive mais alguns anos em paz até o falecimento da mãe e a perda de uma gestação de gêmeos, já de outro relacionamento. Nessa época surtei e pedi demissão de um dos lugares que mais amei trabalhar na vida. Um pouco depois desse episódio, entrei na terapia, o que me deu um bom avanço no controle dos meus transtornos e anos se passaram.
Agora com o isolamento, as minhas crises de ansiedade voltaram com força total. Tive algumas questões pessoais que já vinham me afligindo antes da pandemia e a quarentena foi a gota d'água. Mais uma vez estou em tratamento, agora com um terceiro psiquiatra que gosto muito.
Sinto que em todas as minhas crises fui incompreendida, por mais que as pessoas conheçam melhor o assunto, ainda não há muita empatia e compreensão. A depressão é uma doença, como quem tem asma que vai entrar em crise se for para algum lugar com mofo, húmido... A depressão e a ansiedade também vão dar sinais de crise por gatilhos como a perda, mudança de hábitos, pressão... Talvez seja preciso desmistificar um pouco mais essa doença. Vocês não fazem ideia da porcentagem de pessoas no mundo que sofrem desse mal e muitas têm vergonha de admitir.
Não se cobre tanto naqueles dias de baixa, nem se preocupe quando vierem falar que você é preguiçosa e te encherem de outros rótulos como neurótica, gulosa, irresponsável, etc. Perdoem essas pessoas, elas não fazem ideia do que é conviver com essa doença, mas se você se sentir caindo, perceber uma mudança de comportamento, procure ajuda médica!
Se conheça! o autoconhecimento é fundamental para o controle da ansiedade e depressão. Informe-se e busque conhecimento sobre o assunto, isso vai mudar a sua vida. Essa doença tem controle!
Hoje aos 45 anos, eu sei exatamente quando preciso me controlar e buscar ajuda. O importante é que eu respeito muito essa doença e tento lidar com ela da melhor maneira possível. Não é fácil e levo uma surra nas crises, mas o fato de entender e saber o que é, te dá alguns pontinhos extras na recuperação.
É difícil, não tem cura, mas há controle, e é preciso lutar! Como lutar em meio a crise? Naquele momento de melhora corra e vá ao médico, procure uma terapia. Busque também uma boa alimentação e exercícios físicos, esse é realmente o grande segredo da melhora das doenças em geral. Viver com qualidade de vida é uma condição para o controle da depressão e da ansiedade.
E vamos com força, porque "a vida não é dada" para as pessoas mais sãs, para nós então, é uma guerra! É preciso saber conviver com essa "inquilina" indesejável, a dona Ansiedade Depressão, ela existe e não vai embora. Então Força na peruca e boa sorte! Bora cuidar da gente porque senão ninguém vai cuidar!!!
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Oiê!
Sei que a depressão é coisa seríssima!! Se cuide.
Independente do seu histórico, dê uma olhada na questão hormonal, pois na nossa idade de climatério/perimenopousa a falta de hormônios causa depressão, compulsão, sono, aumento de peso....Infelizmente muitas mulheres passam a ter depressão nessa época da vida e não sabem que é por oscilação hormonal típica da idade.
Dá uma olhada no perfil da Dra.Fernanda Silva ( daí do rio) ela é excelente.
https://www.instagram.com/drafernandapaleo/
bjssss