No mom, mas mãedrasta, uma pegadinha do universo.
- Wanja

- 25 de fev. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2022
Nunca tive vocação para ser mãe, sempre tive total noção da minha escolha. Não consigo entender, mas isso ainda é um tabu. A sociedade fica chocada quando ouve a decisão de uma mulher em não querer ter filhos e sempre acha que ela vai mudar de ideia um dia. Tive dois acidentes onde engravidei, na minha primeira gravidez eu era muito nova e perdi por irresponsabilidade. A segunda gravidez foi outro acidente, eu tinha acabado de perder a minha mãe e resolvi levar a gestão a diante, seria uma oportunidade de constituir a minha família núcleo que eu não tinha mais, um momento de fragilidade e carência. Eram gêmeos univitelinos e em meio a um período conturbado no relacionamento acabei perdendo os bebês. Na hora fiquei em choque, mas com tempo percebi que o universo sabe o que faz.
Tenho certeza de que eu seria uma ótima mãe, mas simplesmente nunca quis um ser dependente de mim, nem tão pouco quis abrir mão da minha liberdade. Nunca tive vontade. Uma boa mãe deve uma dedicação absurda ao ser que escolheu procriar e, esse, nunca foi um estilo de vida que procurei para mim. Tenho 44 anos com a certeza absoluta de que tomei a decisão certa. Esse é um assunto que rende muito conteúdo, mas a questão desse texto é mostrar que a vida prega muitas peças...
Eu vivia em um mar de rosas quando o amor da minha vida entrou no meu caminho e desestabilizou a minha paz. Ele é praticamente um pai solteiro e vivia com a minha enteada. Decidir casar com ele foi a decisão mais difícil que tomei. Ainda não era certo que a minha enteada moraria conosco, uma longa história que não vale mencionar. O fato é que soube da realidade à beira do casamento, assumiria um papel materno, e me senti obrigada a encarar um mundo estranho ao meu ser. Os primeiros dois anos foram horripilantes, confesso que ainda estou em adaptação mesmo com a situação sob controle. Graças à compreensão do meu marido e principalmente da minha enteada as coisas se acalmaram e somos uma família.
Contudo, acho muito engraçado as pessoas acharem chocante uma mulher não querer filhos, mas para mim, chocante é querer ser mãe e não assumir o propósito. E como ser uma "mãedrasta"? Se é difícil ser mãe quando se deseja um filho, ser madrasta é padecer no umbral. Você nunca sabe se está fazendo a coisa certa e se culpa por fazer o errado, afinal não é "seu filho", mas é uma criança e você se torna um exemplo. Horas você quer sumir achando que o problema não é seu, mas horas você admira, ama e sente uma certa satisfação por estar nessa situação.
De qualquer forma há uma linha muito tênue do que deve-se, ou não fazer, onde pode ou não interferir e às vezes é uma questão cansativa. Se eu sou feliz nessa condição? Nunca foi o meu ideal e todos os dias sinto falta das minhas asas, ainda assim, sinto um amor enorme por esses dois intrusos que bagunçaram com os meus ideais.
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