Dicas de uma madrasta
- Wanja

- 15 de set. de 2020
- 4 min de leitura
Ser madrasta não é uma tarefa simples, precisa de discernimento e uma boa fase de adaptação. Eu ganhei uma enteada um pouco depois de resolver que não queria ter filhos e por outro lado ela tinha nove aninhos quando eu apareci em sua vida. Surgimos na vida uma da outra sem aviso prévio e assim como o relacionamento com o marido, o relacionamento entre uma enteada e uma madrasta também precisa de conquistas e adaptações. Quando me tornei madrasta me senti muito desamparada, trabalhei essa novidade na terapia por um bom tempo e demorei a entender algumas dicas que agora vou compartilhar com mulheres que estejam passando pela mesma situação. Você não está mais sozinha. Vai dar tudo certo!

1- Calma, tudo tem o seu tempo:
A primeira dica é ter calma, o início sempre gera estranheza, a criança pode te estranhar, você desanimar e se sentir incapaz, como ela pode te dar amor demais e você se sentir um pouco sufocada, independente da situação isso vai passar e as coisas vão se adequar. O tempo disso acontecer vai depender muito mais de como você vai conduzir essa relação do que da criança. Tente equilibrar as coisas, não force nada, nem bajule demais, tudo vai se ajeitar naturalmente. Claro que existem casos mais complexos, mas se o seu enteado ou enteada te conhecer bem, gostar de você, mesmo que haja intrigas, a criança vai acabar se rendendo aos seus encantos.
2- Educar ou orientar?
Não tente impor a sua educação para a criança ela não é sua filha ou filho. Existe um pai e uma mãe que moldaram ela antes você chegar. Se a criança mora com a mãe, ela vai receber a educação materna, se ela mora com o pai e você chegou na vida dela perto da pré adolescência, como foi o meu caso, a criança já vem pré moldada. Agora se for um caso excepcional, onde você pegou o filho (a) do seu marido bebê e ele mora com você, aí realmente você terá esse privilégio de educar a criança nos seus moldes, caso ao contrário, oriente, mas não imponha, você só vai se estressar. Essa foi uma lição que demorei muito para aprender.
3- Competição no amor não funciona:
Não tente competir nem cobrar o amor do seu enteado ou enteada. Existem várias maneiras de amar e tem espaço para o amor entre vocês que pode ser tão grande quanto ao dos pais. Mesmo que a mãe faça intrigas, tente ser superior e não faça retaliação. Sei que é difícil, fiquei anos me segurando, só depois que a minha enteada chegou nos 13 para 14 anos e sei que ela já aprendeu a filtrar as conversas, me sinto mais à vontade em desabafar algumas vezes, mesmo assim, tenho noção que é errado e tento me segurar ao máximo. Limito bastante as emoções, mesmo sendo atacada desde o início da minha relação. É difícil, mas se supere! Fala tudo que tem vontade com o seu marido porém, longe da criança, principalmente se ela for muito novinha.
4- Respeito
Exija respeito, isso é um direito que lhe assiste. Já parte do princípio que a criança deve ter educação e respeitar os mais velhos, assim como deve seguir as regras da sua casa, não é porque você quer conquistar o amor do filho do seu marido que você aceite falta de respeito com você. A regra vale ao contrário também, seu enteado tem personalidade própria e opiniões, ouça a criança e se descordar explique à ela que tudo bem, vocês podem ter opiniões diferentes e serem amigos. Desde que a criança siga as regras da casa e não te falte o respeito descordar em assuntos gerais é saudável, as pessoas são diferentes.
5- Aproxime-se
Converse com seu enteado, procure a aproximação principalmente se ele não mora com você. Não fuja nos dias de visitação, quanto mais rápido você conquista-lo melhor será o seu relacionamento em família. Sim, você se casou com um homem que tem filho e ele também faz parte do seu núcleo. Até porque não dá para medir forças com filho, naquele papo "ou eu, ou ele" você vai dançar ou vai sair fora sem ao menos tentar passar pelos obstáculos iniciais. Procure saber do que a criança gosta de fazer, comer. Busque jogos ou séries para programas em famílias dentro de casa. Planeje uma programação fora de casa ou viagens, uma hora a criança vai se acostumar com você e visse versa. Vá com calma que vai valer o esforço.
6- Limites
Imponha limites!! Sim! E aqui não falo só dos limites em que a madrasta deve ou não se meter na vida do enteado, mas como nas responsabilidades e principalmente no seu espaço. Determine até onde você vai ajudar com os deveres que o pai tem com a criança, imponha o seu momento de ficar sozinha e determine inclusive até que ponto você vai se dar o direito de se aborrecer. Afinal, por mais amor você tenha pela criança, a verdade é que infelizmente você não tem direitos nenhum sobre ela, então também não tem deveres, portanto você escolhe até que ponto deve se envolver nas obrigações, nos estresses e na invasão da sua privacidade.
7- Permita-se
E por último e o mais importante, permita-se!!! Sim, você não tem direitos sobre a criança, mas é direito seu amá-la da maneira como seus sentimentos te conduzirem. Eu amo a minha enteada como uma filha, mesmo limitando direitos e deveres, mesmo exigindo o meu espaço, mesmo lutando contra intrigas. Eu a amo e amarei para o resto da minha vida e o amor facilita qualquer relacionamento, não há coração duro que não amoleça. Tenha calma, sabedoria e lembre-se que é muito mais fácil o adulto conduzir e entender certas questões. Lute contra mágoas, excessos e as dificuldades, entenda que muitas vezes a criança é envenenada por seres egoístas. O amor é muito mais poderoso que imaginamos.
No quadro Papo Cabeça no meu canal do Youtube Wanja Leite, falo sobre a minha experiência e compartilho o meu processo de adaptação. Confira! Aproveita e Inscreva-se! 😘




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