top of page

Tiete por um dia nos anos 90! #tbt

  • Foto do escritor: Wanja
    Wanja
  • 21 de abr. de 2020
  • 5 min de leitura

Atualizado: 4 de out. de 2022

Com 44 anos de praia, não tenho como não trazer recordação para um blog de lifestyle, não é mesmo? Nessa idade somos resultados de nossas experiências, passamos por momentos especiais e queremos dividi-los com quem amamos. Afinal quem não curte ouvir uma boa história?


Sou filha de mãe solteira e Variguiana, termo usado para as tripulações e equipes de terra que trabalhavam na saudosa companhia aérea, Varig. Nem preciso dizer por quanto preconceito passei por isso, mãe solteira naquela época era quase uma ofensa e hoje é super cool, como as coisas mudam... mas isso definitivamente não vem ao caso, o que importa é que como filha única por parte de mãe solteira e comissária de bordo, fui agraciada em ficar desde muito nova sozinha cuidando da casa, sob supervisão dos meus avós é bem verdade, mas já tinha o gostinho de me sentir dona do meu próprio nariz.


Com isso estava eu, um belo dia em casa, com os meus vinte e pouquinhos anos, sozinha, pensando no que fazer em determinado fim de semana dos anos 90 após um lindo dia de praia, quando o meu telefone fixo tocou. Era a minha melhor amiga que começou a me contar uma história bizarra que mais tarde tornou-se uma das minhas mais divertidas e loucas aventuras.


A Dani sempre foi uma amiga que nunca curtiu baderna, no sentido de "farofada", quem é carioca da minha época vai entender a gíria. Sabe aquele povo que fala alto, come frango com farofa na praia, naquela época isso era um mico e ela não tolerava esse tipo de

comportamento desde muito jovem.


A Dani começou a me contar que estava voltando da casa do namorado que morava em Belo Horizonte, Minas Gerais, quando no aeroporto avistou um grupo de coroas gringos tocando o terror em meio à área de espera. Tocavam instrumentos e falavam alto. Indignada olhava com cara feia e rezava para que esse grupo não entrasse no seu avião.


A reza foi fraca e eles não só entraram no mesmo avião como sentaram em seu lado e atrás do assento dela. Conseguem imaginar a indignação da pessoa? Coitada! Alguns minutos de voo depois, sentido o incômodo da moça, o tradutor que estava sentado ao seu lado, se desculpou e perguntou se ela reconhecia a banda. Irritada, ela só conseguiu responder que não fazia a menor ideia de quem era, então o tradutor desvendou o mistério, eles são integrantes da banda, YES. Oi? Ela arregalou os olhos, incrédula querendo colocar a cabeça embaixo do assento de tão constrangida por não reconhecer esses rockstars.


Conclusão da história, a Dani terminou o voo amiga dos caras. Eles deram o telefone direto do quarto de hotel onde ficariam e pediram para que ela ligasse passando os nomes de quem ela quisesse convidar para o show que aconteceria naquele mesmo dia à noite, numa casa de eventos enorme na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.


Daniela empolgada correu para minha casa e pediu que eu ligasse, já que ela só falava o básico do inglês e eu já tinha um inglês avançado. O papo fluiu, mas como ficou muito em cima da hora, ninguém com quem falamos pôde ir, fomos nós duas, super VIPs com direito a passaporte para o camarim, festas e ainda tivemos uma mesa enorme só para a gente ao lado de globais como a Lilian Cabral, o que isso significava para duas jovens roqueiras? A glória!


Mas a história não termina por aí e só melhora! Depois do show e de alguns drinks no camarim, fomos convidadas para a festa fechada numa discoteca próxima a casa de show. Claro que fomos, mas nos perdemos no estacionamento do shopping onde ficava a boate e chegamos um pouco atrasadas.

Assim que entramos, as músicas estavam incríveis, mas a mesa com os integrantes estava cheia de "mocinhas de família" entenderam, não é? Moças de luxo e nós, duas jovens bonitas e com idades semelhantes as das moças, preferimos ficar em outra mesa afastada para que não fossemos confundidas. Éramos fãs e não profissionais, demos um adeus de longe e fomos sentar, nos divertimos e dançamos muito!


Minutos depois, um produtor e dois integrantes do grupo, o baixista já falecido Chris Squire, e o tecladista, Igor Petrovich Khoroshev, foram ao nosso encontro e ali ficaram até o final da festa, foi muito divertido e rimos demais! O tecladista era o integrante mais novo da banda, deveria ter no máximo 30 anos naquela ocasião e Chis Squire fazia parte da formação original da banda.


Na hora de ir embora foi ainda mais inacreditável o tecladista e o baixista, resolveram pegar carona comigo no meu humilde Clio prata e fui seguindo a van com o resto do grupo. Naquela época, infelizmente, não usávamos o bom senso, não existia Lei Seca e lamentavelmente os jovens bebiam e dirigiam. Eu sempre tentava segurar a minha onda quando estava dirigindo, mas confesso que bebi bem naquela noite e estávamos um pouco distantes do nosso destino.


Voltamos pela estrada do Joá, uma estradinha cheia de curvas que liga a Barra da Tijuca à zona sul do Rio. O Igor, tecladista da época, não parava de falar e me fazia desconcentrar, o que me custou algumas subidas em meio fio no meio do caminho, todos caíam na gargalhava enquanto a Dani se via falando um inglês fluente repentino. Santa irresponsabilidade!


Isso não podia dar certo, claro e o tradutor que também era produtor da banda, ficava da van vendo horrorizado, o tecladista gesticulando os braços sem parar e apavorado com a minha direção, não teve dúvida! Parou a van e expulsou meu novo amigo do carro, mas o coroa baixista ficou e foi com a gente até o fim. Estávamos no meio do caminho onde desviei para abastecer o carro no antigo e saudoso posto de gasolina, Mengão, onde era um point de fim de noite dos jovens cariocas. Quem aqui se lembra dessa época?


Acreditem, levei o integrante do grupo YES para abastecer o carro com a gente. Fico imaginado a cara do produtor que não deve ter entendido nada, mas preferiu me dar um voto de confiança e seguiu em frente com a van. Enchi o tanque e minutos mais tarde estávamos em frente ao Sofitel, hotel luxuoso em Copacabana onde eles estavam hospedados e teria uma segunda festa que também fomos convidadas.


Paramos um pouco distante porque a entrada ficava no meio de um largo e estava lotada de paparazzi, olhei para a Dani e percebemos que a nossa aventura já estava de bom tamanho. Entrar ali, duas jovens bonitas com o coroa baixista poderia causar uma péssima impressão e não precisávamos disso. O baixista foi um amor, nos entendeu e ainda voltou andando sozinho pela rua naquele largo pedaço de calçada até a porta do hotel.


Foi tudo tão inacreditável, parecia um filme de jovens tietes invadindo a festa das estrelas do Rock. Graças a Deus e nossos anjinhos da guarda que já trabalharam demais, chegamos sãs e salvas na minha casa onde encontrei um recado hilário do tecladista na minha secretária eletrônica. Que noite! Uma pena que em meados dos anos 90 não tinha essa febre de smartphones e internet e não conseguimos registrar com fotos essa aventura inesquecível, mas ficou arquivado em nossas mentes e sem dúvida é uma ótima história para contar!


Ai as lembranças, me fazem sorrir..... #saudadesdosanos90





2 comentários


Wanja
Wanja
21 de abr. de 2020

Rsrsrs inesquecível!

Curtir

danielapaesrj
21 de abr. de 2020

Hahahahaha,dia maravilhoso...na memória ever , rsrs

Curtir

Formulário de Assinatura

©2020 por Wanja Leite. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page