Minha doce crise da meia idade, tá passando por isso?
- Wanja

- 28 de out. de 2021
- 4 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2022

É difícil admitir que já estou passando por essa tal de crise da meia idade, meia idade? Nunca achei que chegaria esse momento, o tempo urge e a gente não vê. É uma tal de mudança de hormônios, é dor aqui, ali, acolá. Mudanças de humor, intolerância, uma vontade de mudar fora de série! Mas o pior para mim tem sido a absurda dificuldade de emagrecer, maldição! Sempre fui tão magrinha, como aconteceu que nem vi?
E pela enésima vez voltei a malhar essa semana. Se identificou né? Quem nunca? Também resolvi começar uma nova dieta, a mediterrânea, com base em frutos do mar, frango, pouca carne vermelha, frutas, legumes, integrais e muita água. Já ouviu falar? Sei que o top das dietas do momento é a lowcarb com intermitente, e eu fiz algumas vezes. Gente! Garanto que realmente funciona e o resultado é bem rápido, mas manter essa dieta para mim não deu certo e acabei engordando tudo de novo. Por isso, quero tentar reeducar a minha alimentação e se der certo, compartilho tudo por aqui, inclusive os cardápios ok? Prometo! Se der certo.... aff!
Mas voltando ao "recomeçar a malhar novamente", resolvi encarar a balança de uma farmácia. Aquelas malditas e impiedosas que sempre nos engordam ainda mais. Menina! Quase cai para traz ao me deparar com o número 90 na minha frente. O que???? 90kg, essa joça só pode estar quebrada! Não é possível! É impressionante como as banhas "agarram" na gente aos 40mais.
É bem verdade que até esse momento, eu estava passando uma fase do Foda-se total! Larguei a minha saúde, meu corpo, minha maneira de me vestir. Outro dia saí na rua com uma roupa ridícula e só me dei conta do look sem noção, quando encontrei umas vizinhas super arrumadas e percebi que sai de casa sem ao menos me olhar no espelho. Uma agressão aos olhos alheios.
E pensar que aos meus vinte e poucos anos, eu achava que aos quarenta eu seria uma mega executiva, malhada, sem filhos, com um casamento moderno onde cada um teria a sua casa e endinheirada, doce ilusão. Tornei-me uma quarentona desempregada, classe média, mãedrasta, gorda e dona de casa. Bora rir porque chorar entope o nariz, afinal, não foi o meu ideal, mas não posso negar que sou feliz. O ser humano tem o incrível poder de adaptação!
"Mania desse povo ficar perguntando como você acha que vai estar daqui a dez, vinte anos? Só gera expectativa... quem pode definir isso gente? Eu hein????"
Outra coisa que sempre amei e que parei de usar totalmente foi a maquiagem. Nem um rimelzinho? Nem isso. Conto nos dedos as vezes que saí maquiada esse ano. Pelo menos fiz uma boa economia de cosmético. E nessa fase rebelde de adolescente quarentona esqueci da minha vaidade e da minha essência de corpo são, mente sã, a qual sempre pratiquei.
Até que me deu um clique, " essa rebeldia precisa acabar, afinal, quero trabalhar com a minha imagem e dessa forma não poderei ser exemplo para ninguém". E lá fui eu, feliz e contente para a academia. Lugar irado! Em frente à praia, excelente motivação.
Como já fui esportista um dia, cheguei cheia da marra, com meus 45 anos e 22 quilos acima do peso. Eu estava crente que pegaria aquela série de arrebentar logo na entrada e pedi com muita certeza ao professor que não colocasse cargas altas nesse primeiro momento, quanta arrogância.
Sem a menor parcimônia, meu professor me analisou e foi logo me tranquilizando porque passaria uma série bem leve e que a faixa extensora, a miniband, seria a minha mais nova best nesse percurso. Me senti numa sala de fisioterapia com a quantidade de exercícios com esse material. Fora a minha dificuldade de completar a tal série. Santo sedentarismo e pensei, "como é fácil ligar o botão do foda-se, difícil mesmo e desliga-lo".
Missão cumprida, completei tudo, hora do colchonete para alongar e ali, sentada de lado para o espelho, minha cara amiga, naquele momento, me deparei com a minha nova imagem, bem no meio do salão da academia, constatei minhas três pochetes da barriga. Três banhas na frente e duas atrás nas costas!!! Gordura para tudo que é lado, juro que nem me reconheci. Como? Como me deixei chegar nesse ponto? Tá se vendo nessa história?
É... e ela não para por aí porque ainda viria a pior parte. Como levantar todo esse peso do chão? Ninguém disse que seria fácil. Queria deitar e não sair nunca mais daquele colchão. Mas depois dos quarenta a nossa cara de pau é insana. Comecei a fazer um malabarismo fingindo executar um alongamento.
Respira, vira de bruços, dobra a perna em posição de reza e alonga a coluna no chão. Respira de novo e levanta as pernas, traz as mãos próximo ao corpo e levanta o tronco devagarzinho até ficar em pé. E a cabeça é a última que sobe. Bendita seja a aula de yoga que fiz há alguns anos atrás.
Fato! A minha juventude foi embora e me senti muito perdida, um misto de frustação, medo do incerto e insegurança. Sabe que até nisso achei que eu faria diferente? Achei que seria a vovó surfista e ao invés disso, me larguei total. É minha gente, a juventude foi-se e a crise chegou, minha doce crise da meia idade! Ninguém disse que seria fácil.....
E você? Já chegou nessa fase? Como está sendo? Como foi? Ainda não chegou? Prepare-se que vem bomba!



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