Quase famosa, meu momento global e meus meses de fama.
- Wanja

- 4 de ago. de 2020
- 6 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2022
O quase famoso pode ser bem perigoso. Estava pensando outro dia nos big brothers que se expuseram na televisão e depois voltaram ao anonimato e no pessoal que faz um vídeo que "viraliza", depois caem no esquecimento. Me lembrei de duas experiências dolorosas a qual passei. Tive muitos trabalhos diferentes, a maioria envolvendo o audiovisual e dois deles foram bem cruéis.
Me formei em jornalismo e na época do estágio fiquei um ano e meio trabalhando num Jornal de televisão. Foi maravilhoso, mas também tive a minha primeira experiência desagradável, conheci o mundo dos verdadeiros tubarões que comem os peixinhos menores. Descobri que fui preterida para fazer um trabalho que eu tanto almejava por ser estagiária.
Eu fui cogitada para substituir uma profissional sênior que ficou possessa com a ideia de colocarem uma novata de 19 anos em seu lugar tão importante na empresa, mesmo que fosse uma substituição por poucos meses. Eu até a entendi na época e ninguém soube que eu tomei conhecimento sobre o ocorrido. A verdade é que essa pessoa nunca gostou muito de mim e eu nem sei o porquê, na verdade eu gostava muito dela e a admirava, mas tudo o que eu fazia que fosse relacionado à ela, eu recebia críticas da profissional experiente.
Isso nunca me importou muito, era um problema único e exclusivo dela, e eu já pensava assim naquela época, o fato é que me boicotaram para um teste por conta disso. Sim, houve um teste e fui a única que não fiquei sabendo no canal. Ouvia cochichos, risinhos, mas não poderia imaginar do que se tratava.
Obviamente não compareci ao teste e quando cheguei no meu turno, vi todas as mulheres da redação maquiadas. Ainda levei esporro de um diretor porque ficaram me esperando e eu não compareci. Como se eu fosse desperdiçar o grande sonho da minha vida. Isso doeu muito, acho que foi a minha primeira rasteira profissional, talvez a maior. Eu tive algumas, mas nessa eu era apenas uma menina, foi crueldade.
E como eu descobri? Ouvi uma conversa entre essa profissional e a nossa chefe um dia antes do teste, ela estava revoltava e apontava para mim. Eu ouvi muito claramente a conversa, mas não consegui conectar o papo com um teste que eu nem imaginava que já estava sendo cogitado pela direção. Achei que pudesse ser mais uma de tantas críticas dessa única profissional que não ia com a minha cara, os demais gostavam muito de mim, então, como disse, isso realmente não me afetava.
Esse foi o meu primeiro momento quase famosa, visto que o cargo em si se tratava de aparecer nas telinhas do canal. Nessa época senti muito mais pela omissão da equipe do que a probabilidade da fama. A fama nunca foi o meu real objetivo, mas adoraria tudo o que vem com ela, quem não gostaria de ser bem remunerada e ganhar regalias não é mesmo?
A minha segunda experiência foi mais cabeluda, eu já tinha uns 26 anos. Nesse caso a rasteira foi da vida mesmo, não culpo ninguém por esse fracasso, mas machucou. Participei de um quadro num programa global em 2001. Eu e mais duas repórteres tínhamos um quadro de uns 10 a 15 minutos no programa do Faustão. Seria um sucesso se tudo não tivesse sido tão conturbado, vou te contar os bastidores dessa história.

Esse foi um projeto do jornalista e apresentador Zeca Camargo, gente finíssima. Ele criou um quadro inspirado no seriado e filme das Panteras e a ideia era sensacional. Três repórteres, jovens, bonitas e esportivas que iriam atrás de uma missão real, uma matéria jornalística, um furo. Na época, o jornalista estava trabalhando no Fantástico e essa criação era para ser veiculada inicialmente nesse programa dominical.
Por má sorte do destino o programa do Domingão do Faustão não estava com altos índices de audiência e três mulheres novas, bonitas e esportivas atrás de notícias, seria um chamariz excelente para o programa que estava apostando na tentativa de inserir um pouco de Jornalismo ao quadro de programação. Assim começamos as gravações diante do tumultuado suspense.
Nossa primeira missão era pegar uma imagem do Juiz Nicolau dos Santos Neto que estava preso na Polícia Federal de SP. Quem se recorda desse caso? Ele foi acusado de desvio de verba dos cofres públicos. Ficou muito conhecido pela fraude na construção do TRT/SP e foi alvo de uma CPI do Judiciário em 99. Ele era conhecido vulgarmente como o "Juiz Lalau". E conseguimos completar essa primeira missão.
Estávamos empolgadas em trabalhar com grandes nomes do jornalismo da Globo e preparadas para estrear com um quadro no Fantástico cujo o nome seria "Feras da Notícia", mas no último minuto do segundo tempo fomos avisadas que o nosso quadro entraria na programação do Faustão e logo fomos rebatizadas como "As Feras do Faustão".
Isso seria ótimo se a essência do nosso trabalho não fosse tão pesada e violenta, Trabalhávamos com denúncias e assassinatos. Uma vez ao vivo o Fausto nos comparou à Linha Direta, realmente não tínhamos nada a ver com o programa vespertino a não ser o fato de sermos três jornalistas com um figurino mais despojados e com uma vinheta esportiva.
Na chamada do quadro, eu aparecia escalando, a loira pegando onda e a ruiva aparecia com a participação da Magic Paula, jogando basquete. Era muito legal, não vou colocar esse vídeo na íntegra aqui porque não tenho as autorizações das meninas, mas foi uma produção maravilhosa.
A partir daí começamos a ficar jogadas porque o jornalismo e a produção tinham opiniões diferentes. Uma das diretoras logo me desiludiu, em menos de um mês quando me confidenciou que esse quadro não duraria mais do que 4 meses pelas desavenças. Ela estava correta, durou só o tempo do contrato. Foram muitas discordâncias, a produção do programa queria nos direcionar para fazer bastidores de shows e o jornalismo queria continuar nas notícias de cidade e partimos para o declínio logo que começamos.
Nosso diretor do primeiro mês que era conhecido saiu e promoveram uma produtora para a direção, perdemos as trocas de figurinos e no final usávamos as nossas próprias roupas, foi um mico. Largadas e desanimadas. E para completar a minha situação nessa história confusa, eu era a única que morava no Rio de Janeiro. Além dessa falta de motivação, ainda precisava ficar longe da minha família e amigos, os via uma vez por semana, no único dia que tinha para descansar em casa, desfazer e refazer mala. Um martírio!
Mesmo assim, no início tudo foi festa, a Playboy procurou a direção, falavam sobre a possibilidade de fazerem bonecas das Panteras. Conhecemos o Serginho Groisman, muito gente boa, maravilhoso e que nos chamou para participar do seu programa. O Vídeo Show também chegou a nos sondar, mas sem uma produção de peso por trás e a direção nos fazendo trabalhar quase 15 horas por dia, não tivemos nem a possibilidade de nos divulgarmos. Além disso, como eu era a única que não morava em SP, nas poucas horas que tínhamos, as meninas queriam curtir suas vidas, famílias e namorados.
Eu não me sentia à vontade de agarrar essas oportunidades sem elas, achava que o interessante era a presença das três, então não me oferecia para ir e ficava sozinha no hotel. Hoje eu jamais deixaria essas oportunidades passarem e me arrependo demais, com certeza me ofereceria mesmo que eu eu fosse só. O único convite que aceitei foi a pizza do Faustão que ele oferecia para a equipe uma vez por semana na sua casa em São Paulo, que na verdade era uma grande reunião de pauta rsrs. Foi ótimo, eu adorei e o pessoal da equipe era realmente especial, inclusive o Faustão é uma pessoa incrível, coração muito bom, todos eles.
Chegamos a fazer um certo sucesso, afinal quatro meses participando de um programa de grande audiência como o Domingão do Faustão, não tinha como não ter repercussão e nem havia redes sociais na época, o que na verdade, foi uma pena. Ficamos bem conhecida em Brasília, Rio e SP, cheguei a dar alguns autógrafos e achava esquisitíssimo, mas a brincadeira durou muito pouco.
Ainda nos seguraram por um mês na geladeira, mas fomos dispensadas por e-mail e psicologicamente para mim, foi um estrago. Pouco tempo depois desse projeto criaram o Profissão Repórter, mas nenhuma de nós foi reaproveitada. A situação foi muito escrota mesmo e os meus sonhos desceram pelo ralo.
Tirando todos os inconvenientes, o que aconteceu nessa situação foi realmente um desencontro do destino. Levar um quadro do jornalismo para a produção de um programa de auditório não poderia dar certo mesmo, não combina. Enfim, não era para ser e todas aquelas possibilidades foram sumindo como fumaça. Foi um processo difícil de digerir, a demissão poderia ter sido feita com um pouco de carinho e respeito e ali aprendi que a vida corporativa não é nada fofa.
Algumas semanas depois desse final esdruxulo, tive uma crise de pânico e precisei fazer uma visitinha ao psiquiatra rsrs, mas a vida seguiu, por um lado foi bom porque abri em paralelo ao trabalho da TV Globo a minha primeira empresa onde eu trabalhava com a escalada indoor, fabricávamos muro de escalada e agarras artificiais. Um grande sinal de que a fila sempre anda e a vida continua.
Alguma 40+ se lembra disso?
IMAGENS DE ACERVO PESSOAL

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