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Foi dia de Rock bebê🤘. Qual foi o trabalho que você mais gostou?

  • Foto do escritor: Wanja
    Wanja
  • 23 de jun. de 2020
  • 5 min de leitura

Atualizado: 4 de out. de 2022



Na minha longa e diversificada carreira profissional é difícil selecionar um job preferido. Tive trabalhos incríveis! Estagiei na TV Futura, passei por uma breve experiência como repórter na TV Globo, fui micro empresária na área esportiva, mais precisamente o alpinismo e acabei virando produtora de eventos corporativos. Abri a minha agência onde trabalhei com muito amor, mas acabei fechando e voltando à trabalhar com o audiovisual em produtoras renomadas até que resolvi investir em meus projetos pessoais. Escrevi o meu romance policial, Carcamano, e agora estou me aventurando como criadora de conteúdo.


É realmente muito difícil selecionar o job que mais gostei em meio à tantos trabalhos inusitados e diferentes que pude participar. Trabalhar para mim sempre fez parte do meu estilo de vida, meus trabalhos eram exaustivos, mas gratificantes. As minhas equipes eram sensacionais e eu adorava não ter uma rotina burocrática em um emprego convencional, mas teve um job que realmente me marcou nesses vinte e tantos anos de experiência. Participar da produção do Rock'n'Rio III em 2001, foi o meu trabalho mais memorável e eu tinha apenas 23 aninhos. Eu trabalhava 10, 12, 18 horas, mas parecia um sonho.




Me lembro como se fosse ontem quando um dos meus melhores amigos ligou me chamando. Eu faria a assistência de produção para a transmissão ao vivo de um dos núcleos de gravação do Multishow, pela produtora Inova. Nem perguntei o valor do cachê, aceitei na hora!


O trabalho começou três meses antes do espetáculo. Acompanhei toda a estrutura da produção do festival sendo montada, me encantei por eventos na hora, mas o meu job junto ao audiovisual foi ainda mais encantador. A equipe era maravilhosa e eu me sentia numa família muito alternativa.


Meu trabalho era na montagem da area VIP, mas eu sempre passava por todas as áreas. Acompanhei a construção do palco mundo, palco sunset e toda a montagem. O lugar era tão grande que dado momento pedi para o meu amigo pegar a bike dele. Ele morava perto de onde estávamos e deu a ideia, eu pilhei e ele buscou o "camelo" (gíria carioca da nossa época para bicicleta).


Parecíamos dois loucos de bike andando para cima e para baixo em plena pré produção do mega festival naquele piso roots, uma mistura de grama com terra. Na minha opinião o Rock'n'Rio III foi o último espetáculo da rede com um ar mais "raíz" e com a essência Rock, os seguintes viraram super comerciais e participar dessa edição III foi uma honra para mim que sempre tive um espírito rock'n'roll.


A minha equipe era muito doida e nunca vou me esquecer do dia em que faríamos uma chamada ao vivo e a diretoria tinha sido detida pelos seguranças. Eles estavam fumando uma erva enquanto aguardavam o horário. Foi uma correria para conseguir resolver o episódio, um verdadeiro trágico-cômico.


As bandas convidadas eram sensacionais, o rock naquela época ainda prevalecia no festival, estavam

começando a chamar bandas pops e axé como BritneySpears, Sandy e Junior, Carlinhos Brown e mais alguns poucos artistas desse estilo musical, mas eram poucas bandas.


Um dos momentos mais marcantes foi nas coletivas feitas no antigo hotel Internacional, em São Conrado, no Rio de Janeiro. Me lembro que o pessoal do Iron Maiden havia chamado o lendário Jimmy Page, guitarrista do Led Zeplin, para dar uma "palhinha", infelizmente o artista não pode fazer devido a uma dor na colina, mas acredite, tive o prazer de conhece-lo e trocar poucas palavras com ele e a esposa, além de bater um papo com os integrantes da banda, Iron Maiden, antes da entrevista começar. Fiquei tão encantada com tudo que não quis tietar pedindo uma foto, o que me arrependo profundamente!!!


Outra situação que me marcou e me lembro que fiquei possessa, foi quando o Axel Rose do GunsN'Roses mandou fechar o acesso dos bastidores do palco mundo durante a sua festinha particular e isso me rendia inúmeras pedaladas extras para poder levar as "fitas betas" (fitas que a TV usava na época para gravação, substituídas hoje, pelo cartões de memórias) para a central de transmissão.


Imagina eu de mochila pesada andando de bike em meio à multidão tendo que usar um caminho muito mais longo e cheio por causa de uma estrela do Rock. O único que fez essa exigência. Fiquei tão P da vida que eu, que era fã e podia assistir tranquilamente o show com o fim do meu expediente, nem quis ficar, fui embora indignada.


Meu trabalho mais assíduo durante o festival era feito nos intervalos das apresentações. Eu tinha que produzir os convidados famosos na área VIP para as entrevistas com a Cuca (VJ da MTV dos anos 90). Essa foi a parte mais difícil do job inteiro porque eu era uma alienada do mundo dos famosos, não reconhecia ninguém e tive que me virar nos trinta, se não fosse o meu amigo querido eu estava frita!


Me lembro que tinham duas bandas as quais eu era mega fã e não queria perder o show por nada. Eu era a assistente de produção do meu amigo e combinamos que nos shows do R.E.M. E Davi Matthews Band eu iria vazar para a pista, ele topou e lembro que no show do Davi Matthews larguei ele sozinho no fim da entrevista e fui para o gramado, não é que na segunda música nos encontramos? A equipe foi chegando e curtimos muito, deitados na grama, escorados na bicicleta. Ah... as lembranças são nossos verdadeiros tesouros.


Show do Davi Matthews Band e vista da área VIP.
VIPs

Mais um episódio inesquecível foi o meu trabalho nos camarins que ficavam nos galpões do Rio Centro, nunca malhei tanto como nesse Job, como eu andava... Às vezes precisava passar para os produtores das bandas alguma informação sobre as entrevistas que fariam com a gente e conheci ídolos como integrantes do Red Hot Chili Pepers, Tribo de Jah, Gilberto Gil, Frejat do Barão Vermelho, entre outras bandas nacionais e internacionais.


Me lembro que precisei entrar num camarim de uma banda nacional e fiquei doidona só com a marola. No meio disso, tive a honra de me sentar à mesa junto a Cassia Eller que aguardava sua hora de entrar no palco com a família e foi um dos melhores shows que já vi na vida!


Tribo de Jah; Entrevista Cuca com Carlinhos Brown; eu e Candelot; entrevista com Gilberto Gil e Nana Caymmi; foto com o baterista do Red Hot, Chad Smith; Parte da equipe show!
Registros 🤘😜

Outro privilégio que eu tive, foi assistir alguns dos últimos shows diários na torre do P.A. de som do show porque eu conhecia a galera do serviço em altura, era muito mais do que Vip assitir tudo do alto e tão próximo ao palco. Conhecimento é tudo nessa vida e dou graças a Deus de sempre ter mantido uma rede enorme de amigos.


Agora, de tudo o que eu realmente me senti mais do que privilegiada foram as passagens de som que aconteciam durante à tarde, me sentia em um show particular só para os soldados da produção, ou seja, assisti o show do R.E.M. duas vezes 😜 e a passagem de som do Sting, que eu amo, deu de dez na apresentação do show. Eu o vi cantar de pertinho e ainda levei esporro do segurança porque tirei uma foto. Muito rock'n'roll bebê!


Como fui abençoada nesse trabalho! Até hoje me emociono ao lembrar, não consigo nem contar metade de toda experiência, pois daria um livro! E desde de então meus trabalhos envolviam essa "não" rotina louca da produção que por muitos anos tornou-se a minha cachaça, valeu produção!


Soube curtir direitinho cada momento que esse ofício me proporcionou. Essa lembrança alimenta a minha alma de tanta alegria, um dos melhores momentos da minha vida foi trabalhando. Obrigado Rock'n'Rio III.


Um agradecimento muito especial ao meu brother querido, @rodrigocandelot , que hoje é um ator reconhecido e talentoso, sou sua fã! 🤘🧡.


E você? Teve um job preferido?


Levei o maior esporro do segurança por tirar essa foto e ainda ficou embaçada. O smart phone fazia falta naquela época rsrs
Passagem de som do Sting.


















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