Desabafo de uma carioca
- Wanja

- 24 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2022
Em época de eleições e às vésperas de decisão do segundo turno, me sinto à vontade de dedicar o espaço de hoje à minha cidade maravilhosa, já não tão maravilhosa assim que tornou-se o Rio de Janeiro. Tenho muitas saudades da época que me orgulhava em ser uma carioca da gema e defendia a cidade com unhas e dentes. Aos meus 44 anos, consegui pegar o resto do glamour dessa cidade que já foi tão perfeita.
Na época da minha juventude, já existia violência, muitas diferenças sociais e a super povoação também já acontecia, mas tudo ainda estava acontecendo em dose mais brandas. A violência não era tão agressiva, sabíamos os horários de trânsito e horários mais seguros para perambular pela cidade e conseguimos curtir um Rio que infelizmente não existe mais. No meu ponto de vista, nunca tivemos um político que conseguisse conter tais situações e isso é muito lamentável, acabaram com o Rio de Janeiro!
Me lembro da época que eu pegava o carro e ia curtir uma praia um pouco mais longe sem a preocupação de trânsito, muito menos falta de vagas. Também me lembro da época que saía cedo de casa para trabalhar sem medo de ser assaltada, ou de sair de casa à noite com a certeza que voltaria ilesa e feliz.
Desde o final dos anos 90 quando os arrastões tomaram conta em peso das praias e nada foi feito para conter tal acontecimento a situação só piorou e a partir de então o arrastão é quase uma experiência obrigatória no território carioca, quem nunca?
Anos depois, os arrastões tomaram conta dos túneis e ruas movimentadas. Há dois anos atrás a minha rua tinha arrastão toda semana na parte da manhã e os moradores morriam de medo de sair para trabalhar, usando grupos no Facebook de alerta, praticamente um serviço público obrigatório como o twiter da lei seca, quase um aplicativo. A violência só foi piorando e a crueldade fazendo cada vez mais parte de nossa cultura.
Também vi uma enorme diferença no trânsito que ficou insuportável e os flanelinhas que já foram pessoas humildes, boa praça que dava uma lavada bacana nos carros estacionados, foram substituídos por oportunistas que te obrigava a pagar um valor em troca de manter o seu carro intacto. Até que vieram os funcionários da CET Rio e melhorou a situação, mas nos impôs uma taxa extra para um estacionamento, supostamente de direito do cidadão, devido às taxas que já são pagas anualmente ao governo.
Muito triste também o aumento da pobreza que circula em toda a cidade, inclusive em bairros, cujo IPTU, são os mais caros do Rio, há pobreza e pedintes por todos os lados e isso infelizmente aumentou ainda mais nessa fase de Covid. A violência também ganhou forças com as motos. O carioca não pode ver uma moto com duas pessoas que já acha que vai ser assaltado, é a paranoia urbana que domina uma cidade apavorada, superpovoada e muito mal administrada por anos! Quanta tristeza.
Isso que nem entrei nas questões da saúde e educação. Mulheres grávidas morrendo na porta dos hospitais, idosos deitados no chão aguardando atendimento médico e os políticos enchendo seus bolsos de dinheiro, uma vergonha que infelizmente acontece em praticamente todos os lugares do Brasil.
Adoraria ver nosso prefeito andando nos transportes públicos como fazem os administradores dos países desenvolvidos, conhecendo de perto a cidade a qual está tão doente precisando de tratamento intensivo.
O Rio de Janeiro não continua lindo. Nunca em minha vida poderia imaginar que teria tanta vontade de sair dessa cidade que já me fez tão feliz. Sinto-me uma prisioneira em casa, não por conta da Covid, mas por não conseguir assistir a degradação do meu lar. Em época de eleição à prefeito, rezo para que façam alguma coisa!
E a sua cidade? Como está?




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