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Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!

  • Foto do escritor: Wanja
    Wanja
  • 27 de mar. de 2020
  • 3 min de leitura

Na fase da pandemia costumo dizer que me sinto vivendo em uma das ficções do escritor Dan Brown, em específico a obra Inferno, onde um louco resolve que a solução do planeta é matar metade da população e desenvolver um vírus. Ficção versos realidade. Que raios é esse coronavírus? Estamos todos enjaulados aguardando esse trem passar. A nossa situação está tão assustadora como uma guerra, talvez pior porque nessa guerra o adversário é invisível e pode entrar em qualquer lugar, a qualquer hora.


Um campo minado e medida de forças, se afrouxar a corda de um lado a economia arrebenta, mas se afrouxar do outro, adoecemos. Difícil decisão sobre o que defender. Somos ignorantes em meio às discussões. Os políticos se estapeiam verbalmente, a população brasileira, ainda dividida politicamente, se manifesta com panelaços todos os dias impreterivelmente às 20h. Ninguém sabe mais pelo que está protestando, contra o governo, a favor dos profissionais incríveis que realmente se arriscam por nós, mas e a doença?

Ainda estamos na primeira semana de reclusão e as preocupações futuras já fecharam empresas, demitiram pessoas e apavoraram uma nação. A incerteza de sair de um livro do Dan Brown e cair no seriado, The Walking dead, assombra a população mundial. Tudo pode acontecer, ou nada demais acontecerá. É a incerteza de uma bomba biológica desconhecida. E nós? Simples mortais no meio de tanta confusão? Qual é o nosso papel nesse exato momento? A quarentena. Fica em casa! É o slogan do momento.


Fico em casa sim e em meio ao pânico, reflito. Percebi que a sociedade nos adoece em meio a tantas restrições, exigências e consumo. Uma insatisfação geral e a ganância de querer mais, de buscar o mais prático, uma preguiça generalizada. O estresse, a ansiedade não nos permite evoluir. Percebi nessa situação desconhecida que precisava me reconhecer e o tempo me fez acalmar, diminuir as minhas compulsões, buscar novas atividades e principalmente me dedicar inteiramente aos meus projetos pessoais, os quais se arrastavam como podiam.


Repensei meus relacionamentos, voltei a falar ao telefone, prazer que essa nova geração que se comunica através de áudios, talvez não entenda. Minha alimentação melhorou cem por cento agora que cozinho com os meus temperos e até emagreci, mesmo com momentos de ansiedade quando ataco aquele biscoito esquecido no armário. Parei de pedir comida em restaurantes, de cair na pegadinha do consumo por impulso e economizei. Acredite! Vou acabar o mês no azul. Isso vindo de uma mulher classe média é quase um milagre.


Reeduquei-me e espero manter esses novos costumes. Voltei a estudar e estou buscando uma nova área profissional. Reorganizei a minha mente, voltei a praticar os meus mantras e repensar naquilo que acredito, em minha essência. Escrevo meus textos e faço novos planos. Planos que envolvem um recomeço, cheio de amor e novas possibilidades. Enquanto seu lobo não vem, me reconecto comigo mesma.


E aí parei para me perguntar, qual dessas é a pior doença? O coronavírus ou o estresse de viver em uma sociedade histérica e doentia. Que esse vírus passe logo, que fiquemos a salvos, mas que também consigamos refletir e recomeçar em um mundo menos depressivo, menos consumista, menos doentio, mais educado, calmo e solidário. Que depois da tempestade, venha mesmo uma bonança e "vamos viver tudo que há para viver". Sejamos livres para realizar nossos sonhos em paz e enquanto isso, aguardamos! Que essa fase só dure o tempo que tiver que durar e que tenhamos sabedoria para contornar os próximos capítulos porque "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come!"


Um agradecimento especial a todos os profissionais que se arriscam por nós:


· Profissionais da saúde

· Porteiros

· Motoristas

· Prestadores de serviços de limpeza

· Farmacêuticos

· Caixas e profissionais dos supermercados e seus fornecedores

· Caminhoneiros

· Frentistas

· Garis

· Jornalistas

· Acompanhantes de idosos

· E tantos outros profissionais que não mencionei e que estão nas ruas para que possamos continuar a sobreviver com um mínimo de dignidade.

Gratidão!



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Trechos de músicas usados no texto

"vamos viver tudo que há para viver" - Lulu Santos

"se ficar o bicho pega, se correr o bicho come!" - Ney Matogrosso


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