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Rejeição paterna: Quando percebi que isso me afetou.

  • Foto do escritor: Wanja
    Wanja
  • 11 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 1 de dez. de 2020

A rejeição paterna não é um assunto muito incomum no Brasil, mas cada história tem a sua importância e seus traumas diferentes. A rejeição faz um estrago psicológico considerável, só que nem sempre a pessoa rejeitada percebe os sintomas facilmente. Eu só percebi a falta que um pai me fez quando já era adulta e busquei o meu autoconhecimento.


Os meus pais não tiveram uma relação estável. Eu tive um convívio com o meu pai até os dez anos idade. Nesse período, eu achava que ele fosse um namorado da minha mãe, mas não sabia que ele era o meu pai, esse era um acordo entre eles e quando eu descobri, ele sumiu da minha vida. Foi um choque e eu não conseguia entender porquê ele não me queria, mas eu tinha um avô maravilhoso que supriu o meu vazio do amor paterno.


Mesmo assim sofri consequências no meu comportamento de imediato, as minhas notas no colégio caíram, eu que era magrela, engordei muito por um longo período e já não sabia mais o que responder aos meus coleguinhas quando me perguntavam quem era e onde estava o meu pai. Na maioria das vezes eu dizia que eu não tinha pai, ou que ele tinha morrido. Nesse período eu descobri a rejeição porque enquanto eu não sabia que eu tinha pai, essa era apenas uma curiosidade, mas quando descobri e o vi desaparecer, a tendência foi achar que a culpa era minha.


Na minha adolescência julguei o meu pai e o desprezei por um longo tempo. Assistia aos filmes que abordavam o assunto e no final das histórias, os pais sempre corriam atrás dos filhos pedindo perdão e nessas fábulas normalmente o filho é quem demorava a aceitar a situação, mas comigo foi totalmente diferente. Ele nunca me procurou e coloquei na minha cabeça que ele jamais me faria falta.


Acabei me reaproximando dele na época da faculdade quando a minha mãe passou por uma crise financeira e precisei de ajuda para finalizar os estudos e ali sofri a rejeição pela segunda vez. Nos encontramos três vezes para resolver questões legais. Ele me ajudou por um tempo, mas depois de um desentendimento bobo acabamos brigando na justiça e ao longo desse processo ele continuou sem me procurar. Depois da faculdade não nos falamos mais e soube que ele faleceu pelos jornais porque ele sofreu um acidente que virou notícia.


A minha rejeição paterna foi triste, mas como eu tinha uma família materna sólida até a minha juventude, recebi amor do meu avô e tios que eram muito presentes. Essa ausência do pai foi camuflada, mas depois de adulta e analisando a minha vida, descobri que a falta de uma orientação paterna, a falta da presença de um homem que pudesse me dar uma direções, me fez errar muito nas minhas escolhas amorosas porque eu não tinha uma referência masculina e me envolvi em muitos relacionamentos desastrosos. Com certeza, a falta de um pai afetou outras atitudes minhas, como a minha total necessidade de autossuficiência, o que eu até acho positivo.


A minha mãe foi uma guerreira e dedicou a vida à mim, me tratou como uma princesa, ao mesmo tempo, me ensinou a não depender de ninguém e se hoje eu sou uma mulher independente e bem resolvida é graças a ela, mas tem coisas que só um pai pode te passar. A minha mãe morria de medo de inserir um padrasto em minha vida porque ela era comissária e tinha receio de me deixar sozinha com um homem adulto e nunca mais teve um relacionamento duradouro e eu acabei crescendo com essa lacuna.


Hoje, vendo a relação de amor do meu marido com a minha enteada, sei que senti falta não só de uma orientação paterna, mas como da proteção, do cuidado e dos alertas masculino. Por mais próximo que o meu avô fosse de mim, ele era avô e avô faz todas as vontades dos netos não é mesmo? Além disso a diferença entre a minha geração e a do meu avô era enorme e isso também determina o estilo de educação que se atualiza de acordo com as novidades.


Essa rejeição me fez sentir muito perdida nos meus relacionamentos, um vazio que eu nunca entendia muito bem o que era e não sabia explicar. Tive que aprender a me valorizar com os tropeços da vida. Me faltou referência e tive que aprender errando muito o que eu realmente buscava em um homem para ser o meu parceiro ideal.


Não acho que posso reclamar, tem casos muito piores do que o meu, mas mesmo assim, vejo que a falta de um pai foi um tanto quanto prejudicial para mim e hoje entendo como o equilíbrio da família pai, mãe, filho faz diferença e largo uma pergunta no ar. A minha família núcleo faz parte das diversidades dos dias de hoje, sou filha de mãe solteira, como as novas formações familiares devem agir para suprir todas as necessidades familiares para uma criança?


Imagem: Unplash


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