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Por que é preciso mudar?

  • Foto do escritor: Wanja
    Wanja
  • 3 de nov. de 2021
  • 3 min de leitura


Mudar é sempre uma grande questão, empurramos com a barriga os nossos objetivos e temos uma mania de justificar cada decisão, já percebeu? Não muda porque vai dar trabalho demais, porque não tem mais idade para isso, não sabe como começar, deixa para depois e não quer passar por sacrifícios. Acomodar-se é bem mais fácil do que enfrentar obstáculos, mas será que vale a pena viver a vida insatisfeita?


Sou carioca e sempre amei a minha cidade, o Rio já foi um lugar incrível para se morar, mas de uns 10 anos para cá, a violência aumentou muito e ficou banalizada. A cidade está cada vez mais cheia, a miséria se alastrou e viver na cidade maravilhosa para mim tornou-se indigno de uma boa qualidade de vida.


Talvez o Rio ainda seja interessante para quem tem muito dinheiro e pode fugir da feia realidade, mas para mim que sou da classe média, ficou mesmo complicado. Minha família já não curtia mais as belezas da cidade, tudo era uma grande dificuldade. O trânsito estava cada vez mais infernal, procurar vaga era irritante, os lugares estavam sempre cheios, o medo de sair e ser assaltado já fazia parte de nosso cotidiano, viver no Rio ficou caro demais e depois do confinamento por conta da Covid, tudo piorou.


O apartamento de dois quarto que já era pequeno para mim, meu marido e enteada, ficou ainda menor. O costume de ficar em casa atingiu minhas paranoias da cidade grande e me prendia cada vez mais no canto isolada. Mesmo com a flexibilização a minha vontade de não sair só aumentava e tomar remédios para ansiedade, insônia virou costume. Minha compulsão alimentar atacou e meu peso disparou.


Morávamos no primeiro andar de um prédio até que bem silencioso para um condomínio, mas qualquer barulho que saísse da normalidade me irritava num grau elevado e o medo de voltarem com as atividades normais do play me rondava.


Vinte quilos depois, atormentada pelo incerto, sem privacidade naquele apartamento, senti que já era hora. Meu marido também estava insatisfeito, queria mudar de carreira e fugir do transito diário que o adoecia, até a minha enteada queria sair da cidade.


Naquele momento afastada da família e dos amigos que se habituaram com o distanciamento social, eu já não me reconhecia mais. Precisava de uma mudança física e real, precisava de novos ares. E o nosso plano antigo de sair da cidade estava prestes a sair do papel.


A gente sente que precisa mudar, nosso corpo e mente denunciam essa necessidade, mas nem sempre a gente quer ver. Às vezes insistimos em algo que não nos faz bem por apego, medo e até mesmo preguiça de tomar uma atitude. Aqui estou usando o meu exemplo, a minha insatisfação com a moradia, mas às vezes perdemos tempo em um relacionamento falido, um trabalho nada promissor, ou mesmo com uma amizade tóxica.


O recomeço não é fácil, nada que começa do zero é moleza, mas estagnar adoece. Ficar numa cidade que não me trazia mais benefícios, aguçava meus receios e me aprisionava não estava mais nos meus planos. É preciso ouvir os sinais e tomar uma atitude com responsabilidade, claro. Não adianta trocar os problemas adianta resolve-los.


Chegamos ao nosso limite e nos jogamos nessa aventura. Mesmo com todas as dificuldades que ainda estamos enfrentando com o nosso recomeço, posso garantir que o nosso objetivo já está sendo alcançado. A nossa qualidade de vida melhorou absurdamente, nossa vida social e amigos nos acalentam e aos poucos vamos nos adaptando à vida nova.


Foram anos de construção, analisando as mudanças, criando laços, visitando insistentemente a nova cidade e analisando as melhores condições. Hoje estamos vivendo em Vila Velha, no Espirito Santo, num apartamento maior e muito bem localizado, o medo de sair na rua diminuiu bastante e a tranquilidade de poder sair de casa sem pensar em transito e lugar para estacionar é maravilhoso.


Aqui tem problemas, com certeza, todas as cidades têm suas questões, mas lidar com o novo é sempre mais animador e renova a esperança de adaptação. São novos dilemas, novos obstáculos, mas também são novas realizações.


Mudar exige garra, responsabilidade e disciplina. Ainda temos ajustes, ainda quero alcançar outras mudanças, mas com certeza sinto-me muito feliz por nossa decisão.


A mudança acontece de dentro para fora, é no limite que encontramos a coragem. Respeitar esse limite pode ser revelador porque a mudança te traz autoconfiança. A vida passa tão rápido que esperar demais pode ser tarde. Se algo te incomoda, aja!

 
 
 

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