Casamento após os 45 anos? Sim, claro!
- Wanja

- 19 de dez. de 2022
- 6 min de leitura

Muitas mulheres perdem as esperanças de encontrar um parceiro após os 40 anos porque acham que estão velhas e cansadas das decepções amorosas que foram cultivando ao longo da vida. Outras que se divorciaram, já maduras, ficam perdidas e sentem-se fora do mercado. As mulheres precisam entender que, estar velha para recomeçar, ficou no passado e tornou-se clichê. Estamos vivendo uma Era contemporânea, revolucionária em meio às inclusões sociais, e as mulheres maduras podem se dar o direito de novas escolhas.
Ficar sozinha por opção é maravilhoso e libertador, mas ficar sozinha por achar que a vida acabou, não combina mais com a nossa época. Podemos mudar de carreira, cidade, e casamento em qualquer idade. E achar um parceiro na maturidade te trará possibilidade de uma escolha assertiva, afinal temos mais noção do que queremos e daquilo que não aceitamos de jeito nenhum em um relacionamento.
Essa é a nova coluna "Mulheres que Inspiram". Aqui vou trazer histórias inspiradoras para entendermos de um vez por todas que temos o nosso lugar ao sol, e envelhecer não deve ser um tabu, mas um privilégio de termos mais tempo para curtir essa vida linda. O importante é nos valorizar, cuidar da nossa saúde e porque não dividir nossas histórias com alguém?
Vou te contar a história da Dany Athayde, uma amiga querida, fisioterapeuta, trabalha no programa do governo que atua na secretaria de desenvolvimento social e direitos humanos chamado, As Empoderadas, que discute o assunto sobre a violência contra a mulher. Tenho uma Live sobre esse assunto no meu Canal, sugiro que assistam em seguida, é bem interessante. https://youtu.be/-FaeKPfYmTM Mas hoje vou contar a sua história de amor que aconteceu depois dos 40 anos.
A Dany, nunca se preocupou em casar, mas tinha vontade de ter filhos, e achar um parceiro com valores parecidos, seria importante. Ela passou por várias decepções amorosa, como muitas de nós, e com o tempo, foi abstraindo dos seus sonhos. Até que um certo dia, quando menos esperava, conheceu seu príncipe encantado e casou-se aos 45 anos de idade. Fizemos uma Live sobre isso, e quis replicar sua história por aqui, nessa nova coluna sobre as mulheres que inspiram. Hoje ela divide sua história com o Alex e vai nos contar como tudo aconteceu:
Cabeça de Mulher 40+: Dany, você tinha 43 anos quando conheceu o Alex, você buscava um marido?
Dany: Não mesmo, eu sempre segui aquela máxima "Solteira sim, sozinha nunca!", sempre gostei da minha companhia, e me dou bem com a solitude. Chegou um momento que isso já era o suficiente. Não tinha problema algum, eu estava super bem resolvida de cabeça, eu nunca tive dependência emocional, sempre me virei sozinha, saia para lá e para cá com amigos, e se rolasse de ficar com alguém, ficava, se não rolasse nada, show, voltava para casa, deitava, dormia e no dia seguinte ia à praia. Eu já tinha deixado de lado essa questão, se aparecer ok, senão, tudo bem também.
Cabeça de Mulher 40+: Isso é muito bom, mas tem muita gente que não se basta.
Dany: Sim, é verdade, mas essas pessoas devem procurar ajuda em terapia, porque essa independência emocional foi o que sempre me ajudou muito, nunca me preocupei de fato em encontrar alguém, não seria uma frustração se eu não me casasse.
Cabeça de Mulher 40+: E quanto a gravidez? Você tinha essa vontade de engravidar.
Dany: É sim, realmente quanto à gravidez sim, mas infelizmente no meu âmbito financeiro, eu não consegui chegar em um patamar que eu pudesse assumir qualquer tipo de maternidade sozinha. Eu, de fato, nunca quis casar, mas sempre quis ter filho, acho que isso é outra pauta para você. (risos)
Cabeça de Mulher 40+: E quando você conheceu o Alex?
Dany: Aos 43 anos, eu conheci o Alex. Eu estava num evento na praia Vermelha (Urca - Rio de Janeiro) com umas amigas, num ambiente super gostoso, onde rolava sambinha, às vezes um rock... Foi um pouco antes da Covid. Na hora de ir embora, fomos andando para a rua Lauro Muller (Botafogo - bairro vizinho da Urca), que era relativamente perto, e estava rolando uma festa no prédio de uma das minhas amigas que acabei indo. Tinham poucas pessoas, umas três pessoas sozinhas, mais dois casais e o Alex que estava num estado , minha filha (gargalhada), sabe aquele estado que ninguém olharia, nem eu (outra gargalhada). Mas apesar de estar daquele jeito, "um tantinho alcoolizado", me chamou atenção porque eu andava para um canto e ele olhava para lá, eu andava para o outro lado e ele acompanhava com o olhar. Um dado momento eu olhei para os olhos dele e encontrei um olhar sutil de admiração, não era aquele olhar sacana que te come com os olhos, sabe? Isso me chamou a atenção. Ele tentou pegar o meu telefone, mas resolvi não dar. Isso foi num domingo e na quarta-feira seguinte nos reencontramos por coincidência.
Uma amiga em comum que estava morando em MG, veio para o Rio e reuniu uns amigos, acabamos nos vendo novamente. O Alex é reservado e tinha muita gente, cheio de mulher, então ele me dava atenção, mas ficou quieto no canto dele. Na quinta-feira, ele pediu o meu contato para outra amiga, ela me consultou e deixei que ela desse. Ele me ligou naquele dia e disse que gostaria muito de tomar um vinho com uma pessoa especial e eu aceitei. O Alex me pegou em casa, levou um cooler com o vinho, água com gás, queijos e fomos para o mirante do Leblon, mas choveu e ficamos dentro do carro e ali começamos a namorar e não nos desgrudamos.
Cabeça de Mulher 40+: Quando a gente é jovem, criamos estereótipos, um estilo e exigências para escolher um parceiro, na maturidade, a tendência é se libertar desse estigma do homem perfeito. Você já se sentia mais flexível em alguma questão? Tinha alguma coisa nele hoje que você não aceitaria na juventude? Faço essa pergunta porque vejo mulheres que ainda são muito exigentes e às vezes isso pode ser um bloqueio para quem quer buscar um parceiro.
Dany: Ah sim, de cara, eu jamais olharia para um cara que estivesse bêbado, jamais. O olhar é algo que sempre me cativou e continuo com esse gosto, mas na verdade, eu nunca fui muito de ter estereótipo. Eu não me preocupar com bairro onde o cara morava, nem qual trabalho, se eu fosse depender disso, eu estava ferrada, só me aparecia perrapados (risos). Acho que inclusive, por eu nunca me preocupara, acabei achando um cara super bacana, que trabalha, tem seu carro, é um super parceiro e moramos no apartamento da minha sogra. É claro que temos incompatibilidades, faz parte, ninguém é igual a ninguém, mas casamento é assim. Foi encontro de almas, o importante é que sabemos os defeitos um do outro e passamos por isso super bem.
Cabeça de Mulher 40+: Na nossa educação, acostumamos muito com a situação de sermos escolhidas e não escolher, como foi o seu caso?
Dany: É verdade, a mulher é quem deveria escolher o homem, sem dúvidas, mas no meu caso, eu até posso dizer que fui escolhida pelo Alex, mas eu tive a percepção daquele olhar de admiração. Eu falo para o Alex que ele é a minha alma gêmea.
Cabeça de Mulher 40+: Como você lida com os dilemas do casamento na maturidade?
Dany: Então, o meu pavio sempre foi curto e continua sendo, mas hoje eu sei assumir quando estou errada, peço desculpas e seguimos em frente. Às vezes explodo na hora, dois minutos depois fico mais calma e reflito sobre o que aconteceu. Quando ficamos mais velhas começamos a ter mais sabedoria, é a maturidade né? E é bom ter isso, até para que a gente possa ter o retorno da pessoa também. O Alex é muito mais tranquilo, então às vezes eu me descabelo e ele está lá pacientemente esperando o furacão passar.
Cabeça de Mulher 40+:O que está te atraindo no casamento?
Dany: Ah... a parceria é muito legal, fazer as coisas que sempre fiz sozinha, mas agora com um parceiro é diferente, uma cumplicidade. Muitas vezes, vamos andar de bicicleta e aí resolvemos ir de um canto para outro, parar em algum lugar, é realmente muito bom.
Cabeça de Mulher 40+: Vale a pena casar na maturidade para você, o que diria?
Dany: O casamento é difícil, você tem que querer muito, eu acho que se a pessoa estiver com alguma dúvida, é melhor nem casar. Tem que ter flexibilidade. A gente tem a tendência de querer só as partes boas. Tanto no casamento, quanto filho, penso da mesma forma, se tem dúvida, não faz, porque tem que ter uma parceria no mesmo nível que você. Senão vai tudo buraco abaixo. Acho importante estar num relacionamento onde os dois estejam na mesma sintonia para se casar nessa fase da maturidade. Tenha absoluta certeza que quer casar e depois a absoluta certeza de que quer ter filho. Acho que isso á o mais importante nessa fase.
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