Até que ponto engordar 20kg me incomodou? Como encarar essa situação?
- Wanja

- 1 de abr. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 4 de out. de 2022

Outro dia repostei no meu Instagram, @wanjaleite, um pedaço de uma matéria sobre a Linda Evangelista que saiu no site da People Magazine. Ela fez um procedimento estético que não deu certo e o efeito da cirurgia resultou o oposto do esperado. O procedimento era para tirar o excesso de gordura localizada, mas o corpo dela reagiu e além de aumentar as áreas selecionadas, a gordura em questão endureceu. Esse é um efeito colateral raríssimo que infelizmente a deixou deformada nos pontos onde ela realizou o tratamento estético.
A matéria me chamou a atenção porque ela disse que ficou tão mal com o resultado que se escondeu do mudo, sentiu vergonha de si mesmo e evitava encontrar as pessoas conhecidas. Me identifiquei muito com essa história e tive uma enorme empatia por seu dilema.
Nesses anos de Covid engordei demais. Eu já estava a cima do meu peso e completei 20 kg extras nesse período que parei de me exercitar, me joguei nos chocolates e de quebra passei por uma sequência de questões ortopédicas: operei o joelho, torci meus pés algumas vezes e acabei me acomodando ao sedentarismo. Virou um ciclo vicioso e era desanimador, cada vez que eu pegava no tranco da malhação acontecia alguma coisa que me afastava dos treinos e isso me exauriu, chutei o balde.
Demorei a entender essa minha mudança radical, afinal, no tal do "fica em casa", o modelito "roupas largas" ia me servindo ao longo da metamorfose. Até que percebi que nenhuma calça de botão me servia mais, nem saias, nem alguns vestidos mais estruturados.
O meu ápice foi em Vila Velha, quando nos mudamos há alguns meses atrás, e passamos por muitas dificuldades inesperadas. A ansiedade foi aos picos e ganheis meus últimos cinco quilos. Os meus sutiãs já não me cabiam e até algumas calcinhas me apertavam. Senti vergonha de mim, do meu corpo. Dei graças a Deus por ter mudado de cidade, para não ter que me esbarrar com meus amigos que não via fazia tempo.
Percebi que toda a vez que recebia visitas do Rio, aqui em casa, fazia questão de avisar o quanto engordei para prevenir a transformação. É muito ruim não se sentir bem e não reconhecer o seu próprio corpo. Não me encontro mais, não reconheço meus braços, pernas e barriga. Na verdade, mal reconheço o meu rosto. Aí penso, vou fechar a boca e malhar, mas alguma coisa me impede. Engordei rápido demais, não me dei conta do quanto a idade pesa.
O fato é que tento, todos os dias, trabalhar a aceitação e até me controlo quanto a vergonha, e apesar de querer me esconder, não me permito. Trabalho o tempo todo a minha mente no movimento bodypositive e até consigo encarar, mas é muito triste não me reconhecer mais no espelho, ou no meu estilo de me vestir.
Graças a Deus o meu problema não foi uma cirurgia fracassada como o da Top m odel, mas consigo imaginar exatamente o que ela pensa. A minha mãe também engordou horrores depois dos 45 anos, cheguei até a critica-la, na época, porque ela se isolou mesmo e não soube lidar com isso. Saía apenas para trabalhar e falar com meia dúzia de amigos. Muito triste a não aceitação, mas hoje, compreenderia o seu dilema e jamais a criticaria.
Tenho certeza que muitas mulheres passam por isso. Nosso corpo muda o tempo todo e com as alterações dos hormônios as coisas ficam realmente tensas. Hoje, luto para me conscientizar sobre os efeitos que esse sobrepeso causou na minha saúde e tento desesperadamente recomeçar mais uma vez a minha trajetória, sem medo de enfrentar novos obstáculos. Não é fácil recomeçar o tempo todo, mas se cuidar é necessário para que tenhamos um envelhecimento saudável.
Mudanças acontecem sempre, mas quem precisa analisar se elas valem a pena, ou não , infelizmente, somos nós, mais ninguém! E no final das contas, o que realmente importa é a saúde!
Fiquem com Deus e beijo no coração.



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